Brasil Covid-19 Destaque Mundo Noticias Saúde Vitímas www.ZUMPE.com.br

Falta de testes, brigas políticas e quarentenas falhas fizeram coronavírus avançar pelo país.

Fronteiras abertas, falta de testes, apagão de dados públicos, quarentenas descumpridas e desavenças entre autoridades. Uma sucessão de erros levou o Brasil à vexaminosa marca de cerca de 50 mil óbitos pela Covid-19. Afinal, a doença já havia deixado um rastro de tragédias no planeta bem antes de aterrissar aqui — segundo estudo da Unicamp, o país foi o último entre os 15 maiores do mundo acometidas pelo coronavírus.

Não faltaram exemplos internacionais sobre como evitar — ou, ao menos, amenizar — a multiplicação de óbitos. Hoje estável em diversas regiões do país, o índice de mortes pode, de acordo com especialistas, voltar a subir nas próximas semanas, com a abertura de serviços em grandes centros urbanos, como Rio e São Paulo.

— A Argentina fechou suas fronteiras e registrou menos de mil mortes. O Brasil pode teria feito isso ao menos nos aeroportos de Rio e São Paulo, com centros de controle para testagem de passageiros — diz Alessandro Farias, coordenador da força-tarefa da Unicamp contra a Covid-19.

A escassez de testes impediu um panorama efetivo do alastramento da doença:

— O Brasil optou por concentrar os exames em pacientes suspeitos ou em estado grave. Assim, temos uma taxa de testes positivos superior a 30%. Em muitos países, este índice é de 5%, porque há testes para examinar mais pessoas. A subnotificação aqui é fenomenal. Estima-se que a taxa de óbitos seja pelo menos cinco vezes maior do que a notificada oficialmente.

Farias adverte que mesmo os casos bem sucedidos de quarentena podem sofrer revezes, o que implicaria em restringir novamente a circulação de pessoas:

— Muitos governos sucumbiram ao lobby econômico e à pressão da população e permitiram a reabertura dos serviços antes da hora. O ideal é que menos de 80% dos leitos de UTI estejam desocupados, e esta não é a realidade em vários locais.

Farias ressalta que entre as características do Sars-CoV-2 está o alto tempo em que permanece no organismo — até 21 dias — e o fato de que não precisa passar por muitas mudanças até atingir o sistema imunológico. A ocorrência de uma “segunda onda” é provável. Doutor em Epidemiologia, Paulo Petry sublinha a alta taxa de contágio. No Brasil, cada infectado chegou a transmitir o vírus para até três pessoas, segundo estudo do Imperial College de Londres:

— O distanciamento das pessoas é fundamental.

O “descontrole governamental”, segundo Petry, também impulsionou a curva de óbitos. É referência a declarações como a do presidente Jair Bolsonaro, que comparou a Covid-19 a uma “gripezinha”, e protagonizou embates com prefeitos, governadores e ministros. Desavenças com Bolsonaro levaram às saídas de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich do comando do Ministério da Saúde. A pasta é agora ocupada por um interino, Eduardo Pazuello, militar que não tem experiência na área.

— Houve uma tentativa de apagar os dados sobre a doença, fundamentais para gerar informações científicas e políticas públicas — explica Petry.

O epidemiologista estima que, com o início do inverno, a taxa de mortalidade provocada por doenças respiratórias graves pode até quadruplicar no Sul , prova de que a pandemia ainda está longe do fim.

Related posts

Exaltadas por Bolsonaro, obras da Fiol estão sem recursos na Bahia, trabalhadores estão sendo demitidos

NS.ZUMPE

Projeto da Ufba transforma óleo encontrado em praias em carvão

NS.ZUMPE

Jequié: Noventa quilos de maconha são apreendidos em carro na cidade

NS.ZUMPE

Deixe o seu Comentário

Prove que é Humano *